quinta-feira, 29 de março de 2012

Depois que você foi embora eu não ousei falar sobre isso com ninguém.
Não ousei falar sobre isso nem com você mesma.
Depois que você foi embora eu guardei isso só pra mim.
Ninguém precisa saber, nem você.
Depois que você foi embora, você ainda continuou aqui, mesmo sem saber.
Meus sonhos são meus, meus pensamentos são meus, meu coração... ah deixa pra lá.
É facil porque os dias passam rapido demais.
É dificil porque a saudade fica.
Só olho pela janela, sinto o frio e a neblina.
E o que eu sinto? Só dentro de mim isso fica.
Depois que você foi embora, a noite esfriou.
Meu travesseiro ganhou todos os abraços.
Meus olhos tem todos os seus traços.
Depois que você foi embora, essa frase ecoa por todos os lados.
Depois que você foi embora...

terça-feira, 20 de março de 2012

E hoje é o primeiro dia, do resto dos nossos dias, e eu ainda espero por você.

Acordei nesse dia frio, quente para outros, mas congelando pra mim.
Olhei para os lados, no quarto existiam apenas feches de luz vindo da janela, foi quando percebi que já era dia.
Eu estava abraçada em meu travesseiro, parecia seu corpo, eu abraçava com tanto amor.
Levantei querendo ficar, levantei não querendo acordar.
Andei pra um lado e pro outro do apartamento, sentei no sofá e olhei pros lados. Passei os dedos levemente sobre os meus lábios, estavam secos, sem vida, com saudade. Na boca só tinha o gosto de lágrimas, amargas e doces, embrenhadas em soluços e gritos sem som. Eu estava com sede, sede de algo que não sabia o que era. Sabia, mas nunca mais teria.
Respirei fundo e levantei meio sem força, liguei a TV, só tinha mentiras e histórias da mesma cidade, morte e desgraça. Pensei "já to bem de tristezas, não quero mais, obrigada" e desliguei.
Caminhei até a janela da sala, estava um silêncio, só ouvi o barulho irritante dos ferros se encostando e abrindo, lembrou o barulho silencioso, mas ensurdecedor dos nossos corpos se tocando. Olhei os prédios em volta, nenhum sinal de vida, só concretos e pedras. Olhei para o céu, estava nublado, iria chover, o cheiro tava forte, foi quando uma lagrima caiu. Fechei a janela, porque não, não quero lembrar.
Caminhei lentamente até o banheiro, entrei debaixo do chuveiro, a água escorria sobre o meu corpo se juntando com as lágrimas no meio do caminho. Encostei na parede, deixei a água sobre mim, e chorei, mas chorei como se não existisse mais nada. Eu tava precisando, mas a dor não sumiu.
Sai do banho, fui novamente pra janela, o cheiro ainda estava forte, e parecia que ia continuar o resto do dia.
Voltei para o quarto, eu precisava me vestir, um resfriado era a ultima coisa que eu precisava agora.
O gosto de lágrimas ainda tomava conta de todos os meus sentidos, e estava forte como nunca na minha boca. Eu odeio café, eu odeio vodca, eu não posso substituir esse gosto com nada.
Abracei o travesseiro forte mais uma vez, sentada na cama. Não tinha cheiro, eu não tenho nada seu pra lembrar você, só te tenho dentro de mim.
Levantei, olhei no espelho, foi quando percebi: só me resta fechar os olhos, eu já morri.
Basta fechar os olhos. Eu já morri.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Eu guardei o teu sorriso e o teu olhar juntos no único canto puro e limpo, dentro de mim, no seu canto. Pra olhar sempre que eu fechar os olhos, pra ouvir sua voz sempre antes de dormir, pra te ter mesmo não tendo mais. E assim por todos os dias, até eu parar de respirar. E o que eu fiz com o amor? Ah, deixei ele como sempre, ocupando cada pedaço de mim e transbordando pra tudo que é lado. Deixei ele tomando conta desde o fio de cabelo até a ponta do pé, porque eu sei, esse não tem como guardar em um lugar só, é grande demais, e vai viver por ai, pro resto da eternidade, na minha alma, e em qualquer coisa minha existente, viverá em cada estrela, e em cada gota de chuva. Vai existir pra sempre em qualquer lugar.

sábado, 3 de março de 2012

Em um dia qualquer, sem motivo algum, irá te bater um choque de realidade. Você irá crescer, e ver que cada história da sua vida acontece por algum motivo, e sempre o mais nobre de todos, o amadurecimento.

Hoje me bateu esse "choque de realidade", talvez nunca tido antes, mas doloroso e bom ao mesmo tempo.
Foi assim, te vendo ir embora tantas e tantas vezes e em um curto periodo de tempo, vendo te levarem, vendo você apenas ir, que percebi que o tempo passa, e você molda esse tempo com pequenos gestos e atitudes, suas e de quem você espera que continue contigo com o passar do tempo.
Mas sempre o tempo passa, mas nem sempre quem você quer continua.
Não fica não por falta de sentimento, muito menos por querer menos, é apenas o tempo que passou e te levou pra outro rumo, outra história. Uma história nova que agora eu quero viver.
E foi hoje, nesse choque de amadurecimento que eu vi seu rosto por trás dos meus olhos, e percebi que ele vai continuar lá, como cada lembrança, cada sorriso já dado a você.
Foi uma história perfeita, com início meio e fim, um fim que eu não queria, mas um fim necessário.
Como diz aquela velha musica: o que será que acontece pra gente um dia não se querer mais?
Eu queria saber a resposta, até procuro as vezes, mas nunca encontro.
Não encontro porque ainda quero. Anda quero seu cheiro, seus abraços, nossos sonhos juntos. Mas o que eu mais quero, e preciso é de você feliz, jogando sorrisos ao vento, e que esse vento traga eles até mim.
Foram muitos erros, meus, seus, nossos, sem culpado, mas poderia ter sido diferente.
Será que ainda há tempo para tentar de novo?
E hoje pensando em tudo isso, percebi que a nossa história por mais que tenha sido intensa, de certo modo não foi vivida. Faltou aquele abraço, aquela noite sentindo teu cheiro, faltou o andar de mãos dadas na rua, ou o beijo quando desse vontade. Faltou tanta coisa... só não faltou amor.
A gente queria tanto, mas tanto atravessar tudo, os medos, os erros, as impossibilidades. E o que não percebemos foi que conseguimos, e conseguimos juntas. Mas nos perdemos no final do caminho, como se eu fosse te segurar pra entrar em terra firme e sua mão escorregado.
Eu fiquei sentada esperando a carrenteza te trazer de volta, mas ela te levou a outro rio, com outra vida, outros sorrisos, outras coisas. Só me resta levantar daqui e caminhar mesmo que sozinha, afinal, eu cheguei ao final do caminho, chegamos. Quem sabe eu encontro alguém que chegou ao final do caminho e se perdeu também, quem sabe eu chego até o rio que a correnteza te deixou. Ou quem sabe é desse lado que eu sempre deveria estar.
Eu me perdi, você se perdeu, nos perdemos, ou nos achamos?
Talvez você tenha aparecido na minha vida pra me fazer acreditar no tempo, no destino. Coisa que antes eu não acreditava.
Talvez você tenha aparecido pra me fazer crescer, pra eu não desistir de mim.
Mas o que eu sei, foi que você apareceu pra me fazer feliz, e fez.
Agradeço a você, agradeço a chuva, agradeço aos sorrisos que me tiraram essa semana, agradeço a tudo, agradeço até a falta que você me faz.
É uma dor que parece alguém sambando de salto agulha no meu peito, mas vai passar.
Só não vai passar a saudade. Saudade eu sempre vou ter, dos teus olhos, teu cheiro. Saudade de você amor.
Quem sabe você volta, quem sabe eu nunca mais vou te ver na vida.
Mas eu não sei, só sei que existem outras coisas, existe o tempo, existe eu e você, aqui e ai, em todo lugar.
Só queria que cuidasse bem do seu sorriso, enquanto eu me desdobro pra não precisar dele.
Mas olha menina, a gente conseguiu, e se por acaso a correnteza te trazer de volta, estarei andando pela vida a fora, mas eu te encontro, nem que seja apenas pra dizer que foi muito bom te ver de novo.